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Funeral reúne 19 vítimas de queda de ponte em Gênova; número de mortos sobe
As famílias de outras 19 vítimas oficialmente anunciadas não quiseram participar do ato público, em protesto à tragédia. Foram encontrados os corpos de três pessoas dentro de um veículo esmagado...

18/08/2018 às 13:53 18/08/2018 às 13:54

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Publicada por: Francisco Silva
Fonte: G1

O funeral realizado neste sábado (18) reuniu 19 vítimas da queda da ponte Morandi, em Gênova, na Itália. A cerimônia aconteceu em um dos pavilhões da cidade, com a presença do presidente da Itália, Sergio Mattarella, do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, e dos vice-presidentes, Luigi di Maio e Matteo Salvini. As famílias de outras 19 vítimas oficialmente anunciadas não quiseram participar do ato público, em protesto à tragédia, e optaram por cerimônias privadas.

Segundo a imprensa italiana, os bombeiros encontraram entre os blocos de cimento outras três pessoas dentro de um veículo esmagado sob blocos de concreto - um casal e a filha de 9 anos, elevando para 41 o número de mortes.

Os corpos ainda não foram identificados, mas acredita-se que possam ser da família Cecala, da qual não há mais notícias desde a última terça-feira, quando parte da ponte Morandi desabou.

Ao menos 30 carros e três veículos pesados caíram de uma altura de 45 metros quando o trecho da ponte desabou numa zona industrial de Gênova, em meio a fortes chuvas.

No local do acidente, as equipes de resgate continuam à procura de vítimas nos escombros.

Na quinta-feira (16), o procurador de Gênova, Francesco Cozzi, admitiu que possam haver de 10 a 20 pessoas ainda soterradas nos escombros. O governo da Itália afirmou ser "inevitável" que o número de mortos aumente, à medida que os trabalhos de resgate prosseguem.

Há ainda 15 feridos, 10 deles ainda hospitalizados na sexta-feira (17), seis deles em estado grave.


Rosas brancas e amarelas


No pavilhão, os caixões foram cobertos por rosas brancas, com exceção do caixão do menino Samuel, de 8 anos, a vítima mais nova da tragédia. Logo atrás do caixão de Samuel estavam os do pai e da mãe dele, e depois, quase num semicírculo, os outros 16.

Familiares participam de funeral de vítimas de queda de ponte em Gênova, na Itália (Foto: Massimo Pinca/Reuters)

Familiares participam de funeral de vítimas de queda de ponte em Gênova, na Itália (Foto: Massimo Pinca/Reuters)

Em alguns dos caixões as bandeiras dos países de origem das vítimas foram depositados - além dos italianos, foram enterrados quatro franceses, dois albaneses, um chileno, um peruano e um colombiano.

Ao lado dos caixões, os familiares receberam as condolências de Mattarella. Jogadores de futebol das duas equipes da cidade, Gênova e Sampdoria, também estavam presentes.

As cerca de 5 mil pessoas presentes aplaudiram integrantes das equipes de bombeiros que, desde terça-feira, procuram sem pausa por vítimas sob os escombros.

"A ponte desabou. Não era apenas uma parte importante de uma rodovia, mas um meio necessário para a vida diária de muitos, uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da artéria da cidade. Mas Gênova não vai se render", disse o arcebispo cardeal Angelo Bagnasco.

Bagnasco afirmou que há "uma fenda no coração de Gênova" e que "qualquer palavra, embora sincera, é pequena diante da tragédia".

O arcebispo da cidade também falou da necessidade de "justiça justa", embora não possa cancelar ou restaurar o que foi perdido.

Bagnasco também dedicou algumas palavras para as cerca de 600 pessoas que tiveram de deixar suas casas, que estão sob o que resta do viaduto, e pediu que "não encontrará apenas alojamento temporário, mas pode recuperar o calor de um lar".

“Unidos na dor e no pedido de verdade e justiça, determinado a não desistir", escreveu o ministro do Interior e vice-presidente Salvini antes do funeral no Twitter.


Luto oficial


O governo decretou luto nacional para este sábado, e as bandeiras dos prédios públicos foram colocadas a meio mastro e os monumentos nacionais - como o Coliseu, a Fontana de Trevi e a Praça do Capitólio de Roma - ficarão com suas luzes apagadas.

A liga italiana de futebol, que celebra neste fim de semana sua primeira rodada do campeonato 2018/19, suspendeu as partidas que seriam disputadas pelas duas equipes de Gênova, a Sampdoria e a Genoa. Em todos os estádios, será respeito um minuto de silêncio e os jogadores usarão uma braçadeira preta em sinal de luto.


Revogação da concessão


A multidão também aplaudiu membros do governo que decidiram, após o acidente, revogar a concessão da gestão das estradas italianas à Autostrade per L'Italia, responsável pela gestão da ponte Morandi e que operava quase metade das rodovias italianas.

O Ministro dos Transportes da Itália, Danilo Toninelli, prevê multa de até 150 milhões de euros para a Autostrade per l'Italia. A companhia é acusada de falhar em realizar obras de manutenção necessárias na ponte.

O presidente da Autostrade per L'Italia, Fabio Cerchiai, esteve no funeral.

Sergio Mattarella fez nesta manhã uma inspeção na área do desastre. "É uma tragédia inaceitável, devemos verificar a responsabilidade", disse.

O governo italiano também atribui parte da responsabilidade da tragédia às restrições orçamentais impostas pela União Europeia (UE).

A Autostrade per l'Italia rebate acusações, argumentando que investiu mais de um bilhão de euros anuais em "segurança, manutenção e em fortalecer a rede" desde 2012.

A companhia também contestou o governo por revogar contratos "sem nenhuma verificação das causas materiais do acidente". A concessionária alertou que, neste caso, o governo teria que reembolsar ao grupo o valor do contrato, que se estende ao menos até 2038.


Ilustração do antes e depois do desmoronamento da ponte. (Foto: Juliane Monteiro/G1)


Deterioração de ponte


Os veículos de imprensa italianos publicaram na sexta-feira um relatório elaborado por professores do Instituto Universitário Politécnico de Milão contratados pela concessionária italiana Autostrade per l'Italia e que aponta para uma deterioração do viaduto.

O documento foi entregue à empresa italiana em novembro de 2017. Nele, os profissionais advertiam sobre a deterioração de alguns materiais, como a oxidação de cabos, e recomendava uma avaliação por parte da companhia para abordar estes problemas.

Por sua vez, em outubro de 2017, o diretor da Autostrade em Gênova, Stefano Marigliani, tinha assegurado às autoridades da Câmara Municipal da cidade italiana e às da região de Ligúria, à qual pertence Gênova, que nesse momento o viaduto não apresentava "nenhum problema estrutural".


Causas do acidente


Para o juiz Francesco Cozzi, o desabamento da ponte em Gênova não foi uma fatalidade. As investigações já começaram e devem durar meses até que peritos estabeleçam as causas do desastre, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI).

Uma das principais hipóteses é a vulnerabilidade da infraestrutura e do material usado para a construção, o concreto armado. O material se degrada ao longo do tempo, além de precisar de uma frequente e custosa manutenção. A ponte foi construída na década de 1960, projetada pelo engenheiro Riccardo Morandi, durante uma das épocas de maior crescimento econômico da Itália.


Ponte desaba em Gênova (Foto: Infografia: Roberta Jaworski)

Publicado por: Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (1/2018) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969
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