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Diplo: O funk é quase a língua do Brasil

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O DJ americano, que produziu de Beyoncé a Pabllo Vittar, toca segunda-feira no Rio Music Carnival

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Francisco Silva 12/02/2018 às 20:39 12/02/2018 às 20:39

RIO - Aos 39 anos, o texano Wesley Pentz pode dizer que chegou lá. Sob a alcunha de Diplo, ele já disputou o Grammy como produtor de discos de Beyoncé (“Lemonade”) e Justin Bieber (”Purpose”). Também produziu faixas de “Rebel heart”, de Madonna. E emplacou dois hits internacionais com seus projetos paralelos: “Where are Ü now”, do Jack Ü (duo que ele forma com o DJ Skrillex); e “Lean on”, do Major Lazer (grupo de música eletrônica que ajudou a fundar).

Ainda empresário e dono de seu próprio selo fonográfico, o Mad Decent, Diplo está no Rio. Ele é a grande atração da noite de hoje no Rio Music Carnival, festival que acontece em parceria com o Austro Music, selo eletrônico da Som Livre. O Rio é uma cidade que o DJ conhece musicalmente bem: um de seus primeiros sucessos como produtor, a faixa “Bucky done gun” (2005), da rapper cingalesa M.I.A., já tinha batidas tiradas do funk carioca. Foi Diplo também quem produziu músicas de Pabllo Vittar — os dois até aparecem juntos e se beijam no clipe de “Então vai”. Dias antes de embarcar para cá, ele concedeu a seguinte entrevista ao GLOBO, sobre o Brasil, as evoluções do funk, Anitta, Pabllo, “Despacito” e o poder do streaming.

Em 2007, você esteve no Rio, tocando no Tim Festival e no Multiplicidade, indo para bailes funk e produzindo o documentário “Favela on blast”, sobre a cena dos bailes. Quão importante para você foi esse período e a experiência no Rio?

Uau, que loucura, já tem 11 anos! O Brasil foi o lugar que me definiu como artista. Desisti de tudo e comecei a vir aqui — desisti do meu emprego, deixei minha casa na Filadélfia, resolvi que queria ser um escritor ou, melhor ainda, um músico/DJ. Hoje, parece que ainda estou nessa mesma onda que começou há tanto tempo. Não fiz uma pausa, apenas continuo aprendendo e tentando coisas novas como produtor.

Você ainda está atualizado com o que acontece com a música dos bailes no Brasil? O que acha do funk de São Paulo ou do funk de 150 batidas por minuto que apareceu ano passado no Rio?

É uma loucura ver como, em apenas dez anos, o funk tornou-se quase a língua do Brasil. Músicas como “Afronta é guerra” (do MC Jefinho, um clássico dos 150 bpm) são algumas das minhas favoritas do ano passado. É ótimo que agora, enquanto o resto do Brasil diz “nós temos o funk”, o Rio, onde ele foi inventado, diga “pois nós temos algo mais”. Isso mostra o poder dos produtores na favela de se adaptar e evoluir, seguindo como lançadores de modas. Claro que eu me lembro de quando o funk de São Paulo era tido apenas como moda passageira — agora ele é uma indústria completa. Lembro das primeiras músicas da MC Beyoncé e de como tudo isso mudou para algo mais polido (quando ela virou a Ludmilla). Quando eu comecei a tocar funk, lembro-me de que em São Paulo havia apenas algumas pessoas interessadas, mas tudo o que faltava era o rádio e a TV darem uma chance. Os MCs de São Paulo decidiram que o funk era algo em que poderiam entrar para fazer sua própria música. E eles continuam inovando.

Você ficou surpreso com o tamanho do sucesso de Pabllo Vittar? Dava para imaginar que ia ser tudo isso quando decidiu trabalhar com ele na faixa “Então vai”?

Nada me surpreendeu. O Brasil é muito avançado em relação à cultura gay, deveria ser um exemplo para o resto do mundo. Quando ouvi pela primeira vez a versão da Pabllo para “Lean On”, fiquei apaixonado e pensei: “Isso é incrível”. Eu estava próximo do DJ Gorky, do Bonde do Rolê, que eu lancei no meu selo, há muitos anos, e confiei em seus instintos. Decidi enviar uma faixa em inglês que pudesse funcionar musicalmente em português. E depois tentamos fazer com que “Sua cara” (faixa de Pabllo com Diplo e Anitta) fosse um grande acontecimento. Acho que conseguimos. Só estou feliz em fazer parte do movimento da Pabllo, ela é incrível. Enquanto os músicos LGBT revolucionaram os subterrâneos e definiram a indústria com uma influência que perdura por pelo menos 50 anos, ainda estou surpreso que nos EUA a única estrela pop gay seja Frank Ocean. No Reino Unido, eles têm 40 anos de grandes sucessos mundiais de artistas gays como Elton John, Freddie Mercury e Sam Smith.

Anitta é, até agora, a maior estrela que emergiu do funk. Você acha que ela pode ser grande no mundo?

Eu sempre digo para mim mesmo que Anitta deve encarnar o Brasil. Os EUA estão saturados de artistas pop, por isso é difícil para os novos nomes se imporem. Mas Anitta tem todo o Brasil por trás dela. O Brasil é seu sabor, e um sabor muito forte. Fico feliz que “Vai malandra” esteja aparecendo. Quando eu vi esse vídeo, senti que ele realmente representava o quão legal ela é e o quanto o Brasil é especial. É um vídeo muito sincero.

Dez anos atrás, você poderia imaginar que se tornaria o grande produtor de agora? Você mudou ou foi música pop mainstream que mudou e se tornou algo próximo do que você tinha em mente?

Ainda estou fazendo o mesmo. Acho que o mundo começou a me alcançar. Em breve, ele me ultrapassará e ainda assim ficarei feliz.

Quão importante é para a sobrevivência do pop americano e europeu manter ouvidos abertos para a música do resto do mundo? O que o sucesso de “Despacito”, por exemplo, nos diz sobre isso?

Eu acho que ele nos diz que existem muitos latinos que adoram ouvir música por streaming. O streaming tirou o poder das mãos das gravadoras e o devolveu ao povo. Tentei tirar proveito disso com meu som eletrônico também.

Onde está sendo feita a música do futuro?

Talvez bem aí no Brasil. Não refinada, sem remorsos e feita para as pessoas. E também ajuda o fato de os brasileiros terem tanta intimidade com a internet.

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Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (1/2018) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969
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