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Brasileira separada da filha nos EUA há 23 dias só pode falar com a criança por telefone
Ligação é de no máximo 10 minutos, duas vezes por semana. Família foi separada pela política de 'tolerância zero' do presidente Donald Trump.

25/06/2018 às 07:53 25/06/2018 às 07:54

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Publicada por: Francisco Silva
Fonte: G1

Uma mãe brasileira foi separada de sua filha nos Estados Unidos após cruzar a fronteira do país pelo Texas, no dia 31 de maio. As duas entraram juntas em território americano, mas foram separadas no dia seguinte por agentes da fronteira e estão há 23 dias sem se ver.

A mãe, que preferiu não se identificar, contou ao Fantástico sobre a separação e a luta para ter a filha de volta. Ela ficou cinco dias na prisão até ver um juiz e ser liberada. Já a menina está em um abrigo para imigrantes com outras crianças.


"A gente estava passando uma fase difícil lá no Brasil, né? Não estava nada bom para o meu esposo. Ele acabou se endividando em algumas coisas e resolveu vir. Aí ele veio, e através dessas dívidas, eu também comecei a ser ameaçada. E eu fui, peguei a minha filha mais nova e vim".


O que ela não sabia é que sofreria na pele a política de "tolerância zero" do presidente Donald Trump. Quem é detido entrando ilegalmente nos Estados Unidos pode ser processado como criminoso. Se for uma família com menores de idade, passa um tempo nos centros de triagem. Depois, os adultos vão para a prisão, e os menores, para abrigos e instituições particulares.

"Eu fiquei na cadeia, onde o quarto tinha cerca de umas 50, 60 mulheres, mais ou menos. Ou até mais, né? Vou colocar umas 70."

Foram cinco dias na prisão sem saber onde estava a filha. Na primeira audiência diante do juiz, ela se declarou culpada e foi liberada.

Ao sair da cadeia, a brasileira encontrou o marido e o filho. Ambos já viviam nos Estados Unidos, como imigrantes ilegais e aguardam uma decisão da Justiça americana.

A mãe aguarda o fim do seu processo, que pode terminar em deportação, enquanto produz uma série de provas para poder ficar com a menina.

"Eu posso fazer duas ligações por semana, cada uma de dez minutos, ou posso fazer uma de vinte", afirma a mãe, que agora já sabe em qual abrigo a filha está.

Segundo os serviços diplomáticos do Brasil, existem 51 crianças brasileiras vivendo em abrigos e separadas dos pais nos Estados Unidos.

Há algumas semanas, outra brasileira tentou entrar ilegalmente nos Estados Unidos. A moradora de Cuparaque (MG) levou junto os três filhos: de 16, 10 e 8 anos. Todos acabaram presos na fronteira e agora estão separados da mãe.

"Eu soube através do jornal. Minha reação foi muito triste. Eu chorei muito [...] Eu acho que ela não deveria ter ido", afirma a irmã da brasileira detida pelos agentes da imigração nos EUA. A identidade dela será mantida em sigilo.


"Ela achou que ela poderia dar uma vida melhor para o filho dela. Ela foi mais por conta de um deles, do mais velho", completa a irmã, que também já foi imigrante ilegal nos EUA.



'Tolerância zero'


Ao tentar conter o fluxo de dezenas de milhares de migrantes da América Central e do México que chegam à fronteira sul todos os meses, Trump ordenou no começo de maio que todos os adultos que entrassem no país de forma irregular fossem presos e seus filhos separados deles.

Depois que as imagens de crianças confinadas geraram uma onda de indignação no país e no mundo, Trump pôs fim à prática da separação, mas continuou com seu discurso linha dura sobre a imigração.

O presidente considera esse tema crucial antes das eleições legislativas de metade de período, que vão acontecer no mês de novembro.

"Não podemos permitir que todas essas pessoas invadam nosso país", disse Trump neste domingo na rede social Twitter.

"Quando alguém chega, devemos imediatamente, sem juízes nem julgamentos, levá-lo de volta de onde veio", disse, o que sugere um tratamento sem o devido processo legal que a Constituição americana garante a "qualquer pessoa".

Quase todas as famílias que chegam ao país solicitaram refúgio oficialmente.

"Nosso sistema é uma piada à boa política de imigração e à Lei e à Ordem", escreveu Trump, que tem tentado repetidamente vincular os imigrantes com o crime.

Publicado por: Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (1/2018) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969
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