Início >> Notícia >> Categoria >> Mundo >> Arabia-Saudita-finalmente-permite-que-as-mulheres-dirijam

Arábia Saudita finalmente permite que as mulheres dirijam
A medida, esperada há décadas pelas ativistas, entra em vigor neste domingo ofuscada pela prisão de várias delas

25/06/2018 às 07:55 25/06/2018 às 07:55

212

Publicada por: Francisco Silva
Fonte: El País

Finalmente chegou o dia. A partir deste domingo, a Arábia Saudita permite que as mulheres dirijam. Nove meses após o rei Salman suspender a anacrônica proibição com um decreto real, as sauditas sentarão ao volante. “Vou dirigir. A qualquer lugar. De forma aleatória. Quero saber como é a sensação de conduzir de forma legal”, responde exultante Hatoon al Fassi quando lhe perguntam sobre seus planos para este dia. No entanto, a detenção de várias ativistas que, como ela, lutaram para conseguir a mudança, mancha a iniciativa e levanta dúvidas sobre a profundidade da reforma promovida pelo filho e herdeiro do monarca, o príncipe Mohamed bin Salman (conhecido pelas iniciais MBS).

IFrame

“Isso significa muito para nós. Vamos assumir as rédeas de nosso destino”, afirma Al Fassi, professora universitária e veterana ativista dos direitos da mulher, após trocar sua carteira de habilitação de um país vizinho pelo novo documento saudita. Outras se prepararam nas autoescolas (só para mulheres) que funcionam desde março.

A mudança vai muito além do simples fato de poder sentar ao volante. A proibição limitou a mobilidade das mulheres num país sem um transporte público digno desse nome (o metrô de Riad ainda não foi inaugurado) e dificultou sua entrada no mercado de trabalho, embora a preparação delas seja, em média, superior à dos homens. É um desperdício de talento que o Reino do Deserto não pode continuar se permitindo.

Foi o que reconheceu o príncipe Mohamed, a quem é atribuída a decisão. MBS promove um ambicioso programa de reformas para superar a dependência do petróleo, o que exige a modernização da sociedade e a redução da influência do clero (bastião das posturas mais conservadoras, mas também fonte de legitimidade da monarquia). Um dos objetivos de sua Visão 2030 é conseguir que, este ano, as mulheres sejam 30% da força de trabalho (hoje são 10%). Daí a necessidade de acabar com a proibição de dirigir.

Os analistas já calculam os benefícios. Esperam que a medida abra o mercado de trabalho para as mulheres. Algumas já se inscreveram nos programas de plataformas de transporte como Uber e Careem, em busca de emprego. Logo de cara, a eventual redução do número de motoristas particulares terá um impacto positivo no orçamento de muitas famílias. Os analistas também preveem que a medida estimule a venda de carros e o setor de seguros.

“Mal posso esperar pelo momento. Sinto que vou chorar. Estou convencida de que será algo muito emotivo”, diz N., a saudita que há três anos conduziu esta correspondente pelas ruas de Riad. Tirou carteira nos Estados Unidos, quando estudava Medicina. No entanto, em seu próprio país, essa prestigiosa profissional em cujas mãos muitos sauditas confiam sua saúde e até mesmo suas vidas, era proibida de dirigir até este domingo, e ainda continua sob a tutela formal de seu esposo. “Não tem sentido”, constata. O fato de que seja mantido o ominoso sistema de tutela gera dúvidas sobre a profundidade da mudança. Para muitas sauditas, pouco adianta terem direito de dirigir se continuarem precisando da autorização de um homem (pai, marido, irmão ou filho) para ir à universidade, renovar o passaporte e viajar ao exterior.

Elas veem com preocupação a recente prisão de 17 ativistas (incluindo três homens) que há anos fazem campanha pelo direito de dirigir e pela abolição da tutela. Nove mulheres, entre elas as veteranas Aziza al Yousef, Iman al Nafyan e Loujain al-Hathloul, continuam presas acusadas de crimes muito graves, incluindo o de “traição”, que, além de serem punidos com penas elevadas, buscam abalar sua reputação, segundo várias ONGs internacionais. Seu caso preocupa o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

As autoridades do reino parecem temer que o ativismo das mulheres se estenda a outras reclamações. Desde o início, deixaram claro que a suspensão da proibição de dirigir era uma concessão real, não um direito conquistado. Não houve nenhum reconhecimento às numerosas sauditas que durante três décadas fizeram campanha para consegui-la. Ao contrário: pediram-lhes silêncio.

Publicado por: Francisco Silva

Proprietário da web Rádio Amazônia Central, Acadêmico em sistemas de informação 8º período (1/2018) e Editor de imagens. WhatsApp (69) 9 9283-9969. CV: http://lattes.cnpq.br/4738070963523179
VEJA TAMBÉM
Geral

Peggy Whitson bate recorde da NASA de tempo passado no espaço

Whitson passou mais de 534 dias, duas horas e quarenta e oito minutos na Estação Espacial.
Data 24/04/2017 às 23:10
Geral

Carnaval: Blitz da Lei Seca prende 13 em Porto Velho

A multa sob efeito de álcool, é de R$ 2.934,70, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses
Data 10/02/2018 às 18:08
Música

Anitta expõe ao mundo o Brasil sem filtro de 'Vai malandra'

Sexualização elevada à máxima potência? Sim. Objetificação do corpo da mulher? Sim. Tem tudo isso no clipe de Vai malandra
Data 19/12/2017 às 20:42
Geral

Pastor deixa mulher paraplégica após arremessá la no chão de igreja

O pastor disse que iria curar a fiel e jogou no chão, deixando ela paraplégica
Data 03/04/2018 às 11:53
Geral

Casa onde venezuelanos viviam pega fogo e criança fica ferida em RR

Criança de 3 anos e o pai estão internados com queimaduras pelo corpo. Familiares acreditam que incêndio foi criminoso. Polícia Civil investiga.
Data 08/02/2018 às 19:23
Música

Cantor sertanejo Victor posta letra de música sobre 'momentos inevitáveis'

'Há momentos inevitáveis/ Que o coração da gente pede resposta', diz a canção composta por Victor.
Data 02/03/2017 às 12:05
Música

"Vai Baranga": MC Melody agita a internet ao fazer paródia de música de Anitta

No vídeo, Melody imita várias cenas do clipe de Anitta
Data 11/01/2018 às 16:49
Geral

Trabalhar em empresa investigada por corrupção mancha o currículo?

Veja alguns depoimentos
Data 05/09/2017 às 21:16